[OLPC Brasil] A tabela inclinada do PISA

José Antonio joseantoniorocha at gmail.com
Mon Jul 16 01:32:06 EDT 2007


Ou como transformar um sucesso em eficiência escolar numa humilhante derrota
.

Desde 2000, quando o Brasil entrou no programa internacional de avaliação de
estudantes (PISA<http://www.inep.gov.br/imprensa/noticias/outras/news03_25.htm>),
a posição do Brasil está nos últimos lugares. Isso levou os envolvidos na
educação brasileira a falar até em "tragédia da educação
brasileira<http://www.google.com/search?q=tragedia+da+educacao+brasileira>".
Sempre que eu lia isso ficava muito desanimado, com vergonha.

Até que a ficha caiu: como comparar um desempenho de um país com PIB de 8
mil dólares com o desempenho de um país com PIB de 33 mil dólares?

A gente tem que relativisar todos estes números. Para isso, fiz uma
googlenilha que já apresentei aqui e que agora ampliei para comparar não só
os investimentos na educação, mas PIB per capita equalizado pelo poder de
compra (PPP).

Para cada dólar investido pelo Brasil, o México precisa investir 1,8
dólarespara obter o mesmo resultado. A Finlândia, primeira colocada no
PISA 2006,
precisa investir 5,37 dólares. Os EUA, os que mais investem, precisam
colocar 7,66 dólares para obter o mesmo resultado que o Brasil. Os dados e a
bibliografia que mostram isso estão na googlenilha Desempenho escolar e
investimento em educação no
Brasil<http://spreadsheets.google.com/ccc?key=pH0vKjJkMrh0j2xo8aAp5Xw&hl=pt_BR>
.

Temos *um quinto* da riqueza dos EUA, *um quarto* da riqueza dos europeus,
mas não temos uma situação quatro vezes pior que a deles, apenas *dois
terços* daquelas. Nossa educação é ruim, mas é muito melhor do que deveria
ser pelo que a gente gasta.

Todos estes anos, os administradores de educação vêm tratando um fenômeno de
eficiência educacional, uma vitória de um país pobre contra todas as
adversidades, como uma humilhante derrota.

E localizei um dos resposáveis por isso: o economista e consultor (só
podia!) Cláudio Moura Castro.

Leiam o relatório do PISA de
2000<http://www.oecd.org/dataoecd/30/19/33683964.pdf>.
Durante todo o tempo, ele trata a posição do país no PISA como se fosse um
dado de grande importância. Ora, a posição num ranking não significa muito.
Serve para compeonatos ou concursos, só. É necessário a gente olhar para o
resultado do PISA em relação ao que o país gastou para obter o resultado.
Isto é eficiência.

Mas Cláudio Moura Castro, um economista que não sabe trabalhar com números,
joga na lama um excelente trabalho dos envolvidos na Educação brasileira.
Arrasa com nossa auto-estima de educadores. Maldito economista!

Então, divulguem isso para todos os colegas professores: o Brasil é um dos
melhores do mundo em eficiência na Educação. Parabéns ao MEC, aos
professores, aos estudantes (principalmente) e à sociedade brasileira.

Com a auto-estima revigorada, vamos melhorar a Educação, que está ruim
comparada com o que poderemos fazer colocando todas as escolas em rede.

Abraços!

-- 
nome: "José Antonio Meira da Rocha"  tratamento: "Prof. MS."
atividade: "Pesquisa e aprendizado em mídias digitais"
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